22 de abril de 2018

SOLIDÃO NA 3ª IDADE



         - Tais Luso


    Hoje trago um tema dolorido: é a solidão na 3ª Idade, e que pode muitas vezes tornar o nosso envelhecimento dramático. Não se sabe o quanto existe de solidão no mundo, mas muito influencia para nos vestirmos de solidariedade e não sermos adeptos daquele ditado chulo que diz: cada um por si e Deus por todos. Não concordo com isso.
    Li uma reportagem que aborda a solidão das mulheres do Japão. Grande número de japonesas idosas estão indo presas - propositalmente. Pelo fato de sentirem muita solidão, sem família e sozinhas, preferem a vida na cadeia.
   Ser solitário é uma situação muito penosa, principalmente para os idosos que perdem seus vínculos afetivos, como também os filhos que estão mais distantes, cuidando cada um de sua sobrevivência.
  Pois bem, os crimes cometidos por essas japonesas são pequenos. Roubam roupinhas, bacalhau, arroz, morangos, remédios... sendo, então, condenadas por furto. Ficam cerca de 1 a 2 anos presas. Perdem a liberdade, mas preferem ter com quem falar e serem cuidadas, pois não têm dinheiro para pagarem uma cuidadora particular. Uma dessas idosas, de 78 anos, relatou que a prisão é um Oásis para ela.
Tenho mais pessoas para conversar, fazemos alimentações nutritivas três vezes ao dia, aqui sou cuidada. (Bloomberg)
Outra idosa de 80 anos, roubou um romance de bolso, croquetes e ventilador de mão:
Gosto mais da minha vida na prisão. Há sempre pessoas à volta e não me sinto sozinha.
  Negligência com a saúde e a segurança é um comportamento típico dos idosos solitários. Sem o apoio dos familiares os idosos entram em depressão. Nessa fase da vida, nos deparamos com situações delicadas, como as perdas, afastamento de pessoas queridas, doenças e aposentadoria – para muitos. Com o tempo os idosos não  ficam sozinhos apenas pela falta dos parentes e amigos; vão ficando sozinhos  uns dos outros. A dor maior vira mágoa.
  Uma pesquisa da Universidade de Brigham Young, comparou estatísticas de mortalidade e constatou que a solidão é tão prejudicial à saúde quanto fumar 15 cigarros por dia ou ser alcoólico. Também está comprovado, em vários artigos científicos da Universidade de York,  que a solidão aumenta em 29% o risco de doenças coronarianas e em 32% de acidentes vasculares - AVC. (Correio Braziliense)
   A solidão massacra, consome, acaba com a autoestima, tira todo o encanto da vida.    Depois, leva a vida.


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14 de abril de 2018

UM DIA NA IGREJA...



                  - Taís Luso

Bem, há um bom tempo fui à igreja que meus pais frequentavam. Sentei no lugar em que eles sentavam, talvez na ânsia de conversar com eles e refletir sobre nossas vidas - quando ainda vivos  estavam. Fiquei eu lá, na esperança de que havendo outra vida,  nossos espíritos se juntariam por momentos. Era saudade. Muita!
Ali, sozinha, fiquei a refletir sobre a existência de outra vida. Gostaria de ver algum sentido em nascer, viver, criar vidas, mas ter a certeza da continuidade de meu espírito. Intriga-me o fato de tornar-me apenas uma memória. Sobre a fé não cabem perguntas. Fé é exatamente acreditar no que não se vê e no que não entendemos. Sim, isso é fé, assim aprendi. Mas sei, também, que fé é sentir, é querer.
Fiquei num silêncio respeitoso, que só encontramos num templo religioso, com seus mistérios e seus dogmas indiscutíveis. Contudo, respeito todas as religiões porque respeito as escolhas do ser humano.
Havia pouca gente na Igreja, meia hora faltava para a missa das 18:00 horas. Olhei para o lado e vi um confessionário – onde os cristãos confessam seus pecados e carregam suas penitências. Muitos voltam a repetir tudo igualzinho, porque sabem do perdão. A penitência pode ser quilométrica, mas o perdão não faltará.
Chamou minha atenção um velhinho que mal conseguiu chegar no confessionário. Se arrastava apoiando-se na sua bengala e com enorme dificuldade. Fiquei pensando na tristeza daquele ato; por quê? Que pecado teria cometido o pobre velhinho no crepúsculo de sua vida, solitário, e já tendo a despedida tão próxima? Que pecado teria ele a confessar; que penitência lhe seria dada? Senti piedade das suas amarras. Sou difícil de entender  certas coisas. Lembro o que meu pai disse quando falávamos no sacramento da 'confissão' e outras posturas da igreja o qual eu sempre questionava:
Filha, não podes mudar os dogmas da igreja, isso é rebeldia!
Não pai, eu não quero mudar nada, mas preciso entender os porquês!
Sim, eu era assim. Eu sou assim.  Preciso entender para decidir. O pobre velhinho poderia conversar com Deus, sozinho, na sua intimidade. Naquela altura da vida só caberia  compaixão, sem acusação. Por que não deixar que pessoas  frágeis comandem seu último voo sem cobranças? Levantei e fui embora, lembrei de meu pai,  ainda me sentia fragilizada pela perda.
Existe pecado maior do que a desigualdade, a morosidade ou a inexistência da Lei dos Homens? As penas são amenizadas ou nunca aplicadas devido a posição social, etnia, instrução, ideologias, cargos, apadrinhamentos ou a corrupção que lesa a todos nas suas necessidades mais básicas de sobrevivência. Quantos inocentes morrem em guerras por motivos geopolíticos, econômicos, religiosos etc. Parece que o ser humano nasceu para a guerra. Pois é, como tudo continua igual, a humanidade continua a mesma, também eu continuo com as mesmas indagações. E às vezes com menos esperança... Bem menos.

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8 de abril de 2018

O PAI NO HOSPITAL – Fabrício Carpinejar




     Amigos, trouxe essa crônica de Fabrício Carpinejar, por ser uma crônica de pura emoção. Conta da vida, de nossos sentimentos, de nossas carências, ao mesmo tempo que levanta nossas mágoas e todos os porquês que trazemos na alma, as vezes por uma vida inteira. Assim é o ser humano, cada um carregando sua mochila, e se possível  for, aliviando o peso ao longo da caminhada.


O PAI NO HOSPITAL 
- Carpinejar -

Estranhamente eu me vi contente quando o meu pai baixou hospital. É um sentimento feio para se confessar, mas foi o que aconteceu comigo. Não consigo definir se era felicidade ou alívio.
O meu pai sempre foi rigoroso comigo, de meias e duras palavras, sério, distante, inacessível. Demonstrava afeto e importância falando de dinheiro, se eu precisava de alguma coisa, mais nada, nunca descobri o que pensava e o que desejava, jamais expôs uma outra preocupação carinhosa.
O máximo de contato que tivemos se resumiu a seu aceno uma vez na rodoviária quando segui viagem para estudar na capital. O pássaro de sua mão voando tornou-se nossa recordação mais próxima. Quisera ter fotografado.
Já no hospital, pela primeira vez, eu poderia tocar em sua pele, sem medo, sem susto, sem que ele virasse o rosto, sem ser ofendido. Fiquei perto da cama o observando: uma rocha no mar que recebe a superfície afofada do líquen.
Ele, indefeso, apresentava uma nova autoridade. A autoridade do amor. A sabedoria da fragilidade: nem tudo passa, a amizade dos filhos, surpreendente e incompreensível, grudava-se na pedra.
Fiz questão de cuidá-lo. Ele que nunca me beijava, nunca segurava a minha mão, nunca me abraçava, nunca pedia um favor. E eu o beijei, eu o abracei, eu entrelacei os meus dedos em seus dedos enquanto dormia, eu segurei o copo d’água perto da boca, com a calma sôfrega do canudo.
Recuperei todo o nosso tempo perdido nas três noites de vigília. Quando ele se recuperou, voltou a ser o que era antes, fechado e distante.
Mas eu não voltei a ser a mesma pessoa.

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Publicado no blog de Carpinejar em O Globo  de  09/11/2017


Caracterizado por Luis Fernando Verissimo como "usina de lirismo", Fabrício Carpinejar tem prosa absolutamente desconcertante e confessional. Poeta, cronista, jornalista e professor Universitário nasceu em Caxias do Sul/RS, em 1972. Colunista de ZH e O Globo. Mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS e autor de 34 livros, premiados com o Jabuti, APCA e ABL, entre outros. Participa semanalmente do programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo. É pai de dois filhos. Seus pais são poetas, Maria Carpes e Carlos Nejar, sendo o seu pai Membro da Academia Brasileira de Letras e Membro da Academia Brasileira de Filosofia.
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1 de abril de 2018

COMO SERÁ O FUTURO ?



                     - Tais Luso

Há pouco, recostada no sofá, fui mergulhando nas minhas memórias e comecei a pensar como a gente faz planos e sonha desde pequenina! Lembrei da época que vestia os sapatos de salto de minha mãe, me lambuzava de batom e colocava minha imaginação a funcionar. Eu também queria crescer, ser gente grande como ela,  estudar, trabalhar, casar, ter família, casa, dívidas pra pagar, problemas para resolver, empregada pra incomodar... Mas já que eu queria problemas, estava no caminho certo! 
Cheguei na fase que havia sonhado, mas com muitas perguntas, dúvidas e não mais ansiosa para que o tempo passasse... O tempo disparou, e hoje eu gostaria que o tempo parasse.
Minha geração brincava com jogos, bolinhas de gude, panelinhas, bonecas e quitandas onde se vendia tudo que havia na cozinha de nossas casas, era maravilhoso fazer pacotes para os amiguinhos ‘fregueses’! Mais tarde, aparecia minha mãe e acabava com a brincadeira, fechava o boteco no quintal  e voltava tudo para a cozinha desmantelada.
Tínhamos tempo para ler nossos gibis e todas coleções infantis. Como tínhamos tempo! E o tempo não passava; as férias não terminavam nunca! Bendito era o mês de março quando a vida recomeçava e o ócio acabava. Era o tempo que todos regressavam e se encontravam na escola. E nos abraçávamos com a maior saudades do mundo!!! 
Além daquelas brincadeiras corriqueiras, havia outra: os meninos brincavam de polícia e ladrão na vizinhança, haviam muitas árvores, o que ajudava a se esconderem. Mas naquela época a polícia sempre prendia os bandidos, não sabíamos o que era impunidade, não sabíamos o que era Habeas Corpus Preventivo! Haviam heróis. Hoje é vergonha e indignação. Brincávamos por imitação. Hoje a televisão ensina as brincadeiras mais sórdidas.
Mas a vida foi andando e fui observando o ser humano com seus novos costumes, seus viciantes brinquedinhos informatizados, sua visão de vida e seus sonhos esquisitos. Inventamos produtos sintéticos e tóxicos e conseguimos poluir o planeta inteiro e exterminar muitos animais com novos métodos.
Que fenômenos aconteceram para o mundo mudar tanto? Sem dúvida que muitas coisas evoluíram nas ciências e com a fantástica tecnologia que surgiu, mas das relações humanas não diria o mesmo, retrocedemos, nos tornamos muito competitivos e materialistas. Distantes uns dos outros. Em poucos anos formaram-se seres estressados, depressivos, ansiosos, frustrados e muito solitários. Alguns felizes, outros nem tanto. E outros, muitos infelizes.
Esse é o ser humano contemporâneo que não sabe mais conversar, mas virou um viciado em compartilhar suas vidas por inteiro.
Como será o futuro com toda tecnologia que está mudando a cada dia?

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hoje ...





23 de março de 2018

EXTRAVIO - FERREIRA GULLAR


                   
                         EXTRAVIO
     
               Onde começo, onde acabo,
               se o que está fora está dentro
               como num círculo cuja
               periferia é o centro?

               Estou disperso nas coisas,
               nas pessoas, nas gavetas:
               de repente encontro ali
               partes de mim: risos, vértebras.

               Estou desfeito nas nuvens:
               vejo do alto a cidade
               e em cada esquina um menino,
               que sou eu mesmo, a chamar-me.

               Extraviei-me no tempo.
               Onde estarão meus pedaços?
               Muito se foi com os amigos
               que já não ouvem nem falam.

               Estou disperso nos vivos,
               em seu corpo, em seu olfato,
               onde durmo feito aroma
               ou voz que também não fala.

               Ah, ser somente o presente:
               esta manhã, esta sala.


Do livro: Muitas Vozes – Ferreira Gullar - ed José Olympo 2013 11ª edição – pág 111

Ferreira Gullar (José de Ribamar Ferreira) nasceu em São Luís do Maranhão em 10 de setembro de 1930. Faleceu em 2016 no Rio de Janeiro. Foi escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo.

Forçado a exilar-se do Brasil, viveu em Paris e Buenos Aires de 1971 a 1977. Escreveu em 1975, em Buenos Aires, seu livro de maior repercussão, Poema Sujo, publicado em 1976 e considerado por Venicius de Morais, o mais importante poema escrito em qualquer língua nas últimas décadas.

Com inúmeros livros publicados, também recebeu vários prêmios de importância, como os prêmios Fundação Alphonsus de Guimarães, vários Jabuti, prêmio Moacir Scliar, Prêmio Camões - 2010, prêmio Machado de Assis, considerado da mais alta distinção concedido a um autor de língua portuguesa. 
Ocupante da cadeira nº 37 da Academia Brasileira de Letras.

Em seus últimos trabalhos Gullar começou a demonstrar uma preocupação com a morte, com os amigos que se foram, mas ao mesmo tempo começou a equacionar-lhe o sentido profundo sem fazer dela uma angústia existencial”. (Ivo Barroso)


"A Arte existe porque a vida não basta"
"O importante não é ter razão, é ser feliz!"


17 de março de 2018

INTROMISSÃO INCOMODA !




          - Tais Luso

Por certo, todos nós alguma vez na vida sentimos um certo desconforto ao invadir ou ser invadido na nossa privacidade. Por vezes, avançamos tão forte na vida dos outros que não pesamos o desmoronamento de amizades e de afetos. Que desgraça.
Certas coisas incomodam muito, e algumas delas tiram o encanto dos bons momentos que poderíamos passar com amigos e parentes. A intromissão na vida do outro dá rolo! Sempre deu e sempre dará.
Podemos ser algozes como também as vítimas. Quando a poeira baixa, ainda ficam resquícios de mal-estar causado pela invasão. É a tal coisa, pegamos sarna para nos coçar, e sem necessidade. E o pior é que reincidimos no erro.
O tempo passa e ainda me surpreendo com certas atitudes. Procuro entender o que se passa, será mais uma das invasões ou será um ledo engano?
Cada vez mais a intromissão - um ato impetuoso que sai como se fosse a única verdade -, faz parte do nosso cotidiano.
Muitas brigas entre amigos e familiares se originam desse gesto impensado, de dizer tudo o que se quer sem nada medir, e com a intenção de corrigir a vida do outro. Mas alguém pediu?  Um dia o intrometido poderá dizer que fomos ingratos por não ouvir seus conselhos, mas na realidade não foram pedidos.
Quando ocorre de um conselho partir de mim, logo vem uma sensação de arrependimento pela burrice a qual me permiti entrar.
Muitas brigas e desentendimentos se dão graças a essas ajudinhas inofensivas, mas que mexem com o ego de cada um.
O grande alerta, nessa selva em que vivemos, penso ser a observação. Partindo do pressuposto que podemos vivenciar situações muito desagradáveis, vale a pena dar uma refletida. Vale a pena perguntar: mas alguém pediu alguma coisa? Alguém pediu algum conselho? Oh, chatice!
Está aí uma das virtudes do ser humano: poder zelar pela sua privacidade.
É pura felicidade. É paz.



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8 de março de 2018

A ILHA MAIS PERIGOSA DO MUNDO



                     - Tais Luso

Hoje trago para vocês uma curiosidade muito interessante: a Ilha da Queimada – considerada a ilha mais perigosa do mundo – também chamada de Ilha das Cobras. Um lugar que ninguém quer pisar. Fica em São Paulo, a 30 km do litoral, próxima das praias de Itanhaém e Peruíbe. São 43 hectares de rochas e mata, descoberta em 1532 pela expedição de Martim Afonso de Souza. Ali, vivem por volta de 4 mil cobras ilhadas. Aranhas, escorpiões e baratas enormes. É tudo que eu gosto!
Confesso que ao ver o documentário fiquei horrorizada, e quero que vocês tenham uma sensação semelhante da que tive. Amiga é para essas coisas, proporcionar adrenalina! (risos)
Há uns 12 mil anos, ao terminar a última glaciação na Terra (Pleistoceno), o nível dos oceanos subiu e essa parte de terra foi cercada pelo mar.
As serpentes - jararacas - que ali viviam provavelmente eram iguais às do continente. Porém, como não haviam mais ratos ou mamíferos, essas serpentes passaram por um processo de adaptação, começaram a subir em árvores para serem as predadoras das aves migratórias que pousavam por lá. E agora se alimentam de lagartos, centopeias, caracóis e sapos, o que por lá aparecer. A Jararaca Ilhoa, seu nome atual, é capaz de ficar 6 meses sem alimentar-se, por isso esse grande número de serpentes na ilha, o que faz dela a rainha do pedaço.
Com a extinção de animais, o veneno da Jararaca-Ilhoa tornou-se 5 vezes mais potente que o da Jararaca comum (do continente) pois elas precisavam matar a presa rapidamente, antes que ela voasse para outra área, impossibilitando a refeição. Seu veneno mata um homem em 1 hora, com terríveis dores: mata por insuficiência renal, necrose do tecido muscular, hemorragia cerebral, hemorragia intestinal... E não tem volta, é só dar um adeusinho à vida e partir conformado - se por lá alguém aportar.
Essa Jararaca Ilhoa, não tem predador. O acesso à ilha é proibido pela Marinha do Brasil, permitindo apenas,  analistas ambientais e cientistas, mediante autorização prévia e acompanhados de médicos. Fora isso, tudo o mais é proibido, inclusive a pirataria, que burla a lei para vender as cobras no Mercado Negro. A Marinha Brasileira faz uma visita anual na ilha para a manutenção do farol que desde 1920, foi automatizado, após as cobras terem atacado a família que fazia a manutenção do Farol - o qual  todos morreram.
Então? Alguém ainda com vontade de passear por lá?


< VEJA VÍDEO >


Jararaca Ilhoa - Ilha da Queimada






1 de março de 2018

SUBINDO NA VIDA !



 - Tais Luso
Cá estão eles, os nossos novos riquinhos, mais parecem vulcões adormecidos que após longos anos acordam e fazem grande estardalhaço nas mídias do país!
É aquela gente que ascende de uma classe social para outra e, apesar de ser muito difícil lidar com esse tipo de coisa, é muito hilário. Não fica fora de cogitação uns amigos ou parentes vestirem esse novo modelito social, de emergentes. Contudo, é divertido vê-los pipocando por aí, aparecendo aqui e acolá. 
É muito engraçado quando certas coisas não vem de berço, falta o tal requinte que o dinheiro não compra. Mas eles adoram brincar de realeza! 
Mas o aprendizado leva tempo. Num jantar cheio de salamaleques tais pessoas são  capazes de beberem a lavanda que serve para lavar os dedinhos… Mas com o tempo, acabam dominando bem as regras, é aprendizado.
As novas mulheres pegam um estilo próprio, todas com a mesma obsessão de voarem para o exterior atrás de grifes Prada, Louis Vitton, Gucci ou Chanel e outras. Lá estarão elas, doidonas, rodopiando a rica bolsinha de alça curta. Alça curta é chique, mas um saco a tal alcinha no século 21!  E que grana!!
A empregada também sobe de status, vira secretária, quase uma executiva. Os cães de estimação  ficam afrescalhados, viram bebês com lacinhos, colar de strass, roupinhas e sapatinhos. Viram nenê de colo. Sim, todos eles são de pequenino porte para andarem no colo da mamãe! E os coitadinhos ficam meio afetados, iguais aos donos. Não dá para encostar a mão... o nenê morde! Por pouco não perdi um dedo. E foi difícil manter o equilíbrio diante da ternura da mulher:
Não morde a moça, Belinha!
Lembro de uma novata, daqui do Sul, que subiu na vida e inventou de falar com sotaque carioca para dizer que estava chegando de fora, de longe... da China! Chiava feito louca, mas longe da carioca da gema. Mas para meu gosto andou muito pertinho, pois o Rio de Janeiro fica aqui, a duas horas de avião. Acho que não se deu conta. Dinheiro não compra conhecimento.
Por outro lado o maridão virou enólogo. Começou a colocar suas manguinhas de fora, com ar professoral ensinava a importância da rolha, da safra, da uva, da vinícola, se é vinho velho ou novinho, se frutado ou amadeirado; se encorpado ou leve. E aí seguiu a vida comprando belos carros e o top dos Smatphones e relógios. Eles não são tão criativos como as mulheres no quesito aparentar. São excelentes em negócios, mas continuam de pantufas. O negócio deles é restaurantes e comida na barriga. E barriga!
Por hoje fico por aqui, confesso que cansei só de contar...


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21 de fevereiro de 2018

VIVER É FÁCIL - DIFÍCIL É CONVIVER!




               - Tais Luso

Hoje trago um assunto cabeludo: a convivência entre os humanos.
Uma boa parte do planeta é composta de gente saudável, amorosa, serena e generosa. Outra parte é conturbada, dominadora e destrutiva. E essa última faz o barulho sozinha; monta o barraco e bota fogo na paz dos outros. Àqueles que gostariam de viver tranquilos, como água de poço, não terão essa sensação tão cedo. Nosso mundo não está preparado para ser um paraíso. E nem nós – os anjos.
Mesmo pisando em ovos, viver é maravilhoso. Gostaria de viver eternamente, adormecer ao embalo de suaves acordes, leve e solta, quem sabe como um pássaro.
Em todas as épocas a humanidade foi um fracasso em relação ao convívio com sua própria espécie. Conseguimos voar como os pássaros, conseguimos invadir os mares mais revoltos, conseguimos ir à Lua, namorar Marte e ficar girando meses no espaço. Porém, não conseguimos conviver com vizinhos e familiares sem muitos contratempos. A intolerância é muito forte, o vizinho tosse e se engasga  no elevador e a vontade vem rápido, a cavalo:
tossir na tua casa, infeliz!
A vontade dos intolerantes é parar o elevador e descartar a criatura. Não funciona o tal pensamento de que somos todos irmãos, filhos do mesmo pai, fraternos e solidários. Bonito é, mas funciona na evangelização religiosa. Dá uma sensação de alívio, de plenitude e espiritualidade. Meu louvado irmãozinho...! Caim e Abel eram irmãos, e deu no que deu.
Estamos acabando com nossos sonhos. Os revoltados sem causa nascem em qualquer meio. Famílias se matam, alunos agridem seus professores, outros explodem com seus colegas - como temos visto nos Estados Unidos. Uma sociabilidade muito amorosa. Por isso que digo, tranquilidade como água de poço não é conosco. Queremos acreditar na boa fé das pessoas, mas se no meio do caminho houver uma pedra... Valha-me Deus!
A história do mundo é de guerra, de intolerância, de subjugação, de tortura. Jamais imaginei ver legados arquitetônicos, de civilizações milenares, reduzidos a escombros como o acontecido em 2013 - na Síria. Toda a arte virou nada. Não dá para esquecer criancinhas morrendo ao tentarem fugir das guerras.
Mas somos assim desde sempre, bonitos e carismáticos, um embrulho com laços e fitas muitas vezes escondendo a nossa maldade e nossa doença.
E assim caminharemos até o fim dos tempos, ora nos abraçando, ora nos matando.
Quem sabe a poesia e a música ainda continuem nos tocando com emoção. será um contraponto.



Vejam que música, que poesia!         
Oswaldo Montenegro - Lua e Flor